Demanda supera a oferta – onde estão os trabalhadores qualificados??

Demanda supera a oferta – onde estão os trabalhadores qualificados??

Em seu nível mais básico, falta ao Brasil mão de obra qualificada isso é muito mais do que um desequilíbrio entre oferta e demanda. Com a economia brasileira disparando em todos as esferas – e no contexto de um legado de falta dramática de investimentos do governo na educação – as empresas que operam em setores que estão exigindo trabalhadores mais qualificados que o mercado de trabalho oferece atualmente, levando a contratação não atendida a niveis altíssimos, isso aumentou a pressão sobre os funcionários existentes e levam a empresa a um crescimento mais lento. A escassez é particularmente pronunciada para as empresas que necessitam de técnicos,  engenheiros e arquitetos de informação.

Em particular, enquanto muitos países em desenvolvimento estão sofrendo de um fenômeno semelhante, o problema do trabalho é especialmente grave no Brasil, que recentemente ficou em terceiro lugar em um ranking global de países que lidam com a escassez de trabalho. Na verdade, de acordo com o estudo, em que a Manpower empresa de recursos humanos entrevistou mais de 40 mil empregadores em todo 39 países diferentes, 57% dos empregadores no Brasil são incapazes de encontrar os trabalhadores qualificados de que precisam para operar seus negócios. A falta de mão de obra qualificada não é um problema para o futuro, é um problema que estamos enfrentando hoje.  Esta escassez de trabalho aguda tem implicações dramáticas para os cidadãos brasileiros. Empresas brasileiras, buscam candidatos a emprego estrangeiros e para o futuro da economia brasileira em geral isto é um problema também.

O que explica a falta de mão de obra qualificada do Brasil e quais são as bases históricas do problema dos dias de hoje?

Enquanto as respostas a estas perguntas são altamente diferenciadas, muitos observadores começam apontando para subinvestimento histórico do Brasil na educação como o principal culpado por trás de escassez de trabalho de hoje. Por exemplo, o presidente e diretor editorial do Grupo Abril, o maior conglomerado de mídia do Brasil, afirma que o país carece de mão de obra qualificada, porque “o Brasil basicamente tem  ignorado a educação durante grande parte de sua história”. Em apoio a esta tese, muitos especialistas acadêmicos sobre o assunto dizem que a  partir do período colonial, a elite brasileira deliberadamente negligenciou a educação porque seus ativos produtivos (que, até a última metade do século 20, foram focadas principalmente na produção e exportação de bens primários) não requerem o uso de mão de obra qualificada. Este legado histórico contribuiu para a formação de um sistema educacional mal equipado para atender as necessidades de uma economia em rápido crescimento e diversificada.

A maioria dos especialistas concordam que a solução para a escassez de trabalho do Brasil é de longo prazo que envolve a ampliação do acesso à educação, a construção de mais escolas e melhorar a qualidade de instituições de ensino existentes. Mas o que pode ser feito para resolver o problema no curto prazo? Como vão as empresas brasileiras lidar com o déficit? Pode e deve buscar estrangeiros altamente qualificados para preencher a lacuna? E quais são as implicações de longo prazo de uma escassez de material humano para trabalho por um periodo prolongado?

Empresas entram em cena

Diante de um fosso cada vez maior entre as projeções de crescimento saudáveis e escassez de oferta qualificada de talentos, algumas empresas brasileiras – como a gigante mineradora Vale do Rio Doce, a Petrobras e a Schincariol – assumiram a lacuna de talentos de forma proativa, estabelecendo suas próprias universidades corporativas. Enquanto não se destina a substituir os sistemas de ensino convencionais, cada vez mais universidades corporativas se assemelham a elas. Eles buscam acelerar a aquisição de conhecimento acadêmico e imediatamente facilitar práticamente, “on-the-job” aplicação por meio de cursos de curta duração de imersão, como os encontrados em ambientes acadêmicos.

A Vale Universidade passou os EUA em $34,7 milhões em 2010 em seus programas educacionais em toda a cadeia de valor – de técnicos operacionais e de especialistas líderes de gestão – chegando inclusive a fornecedores que têm dificuldade em fornecer serviços de alta qualidade, devido à capacidade de gestão empobrecida.

A Vale treina funcionários em operações de mineração, portos e ferrovias, entre outros campos. Somente em 2010, produziu 60 engenheiros ferroviários que não teria tido as habilidades necessárias para as operações da Vale. Ela também é considerado a líder incomparável na produção de talentos especializados na extração de minério da floresta amazônica. Embora focada em determinadas habilidades técnicas para a empresa de mineração, a Vale também encontra-se dentro do sistema de educação do Brasil subdesenvolvido. “Ensino de matemática e Português não faz parte do nosso core business”, observa Desie Ribeiro, gerente de educação da Vale. “Mas por causa de falhas no sistema educacional, que freqüentemente nos encontramos nesse papel, entrou no currículo.”

Universidade Petrobras no Rio de Janeiro enfrenta um outro desafio – desenvolver engenheiros com os recursos intelectuais para descobrir e produzir em águas profundas novas técnicas para o bombeamento de óleo debaixo 7000 metros de oceano, pedra, sal e areia. Com o treinamento de petróleo offshore tornar-se parte do currículo da Universidade Petrobras núcleo, a escola tem como objetivo educar uma parcela significativa dos cerca de 8.000 a 9.000 empregados que serão necessários para as operações em águas profundas até 2015, muito mais do que o sistema do país a educação formal está prevista para produzir. A empresa é reconhecida como líder mundialmente por sua expertise em águas profundas.

Mas o que dizer sobre as empresas que não têm suas próprias universidades corporativas para fornecer um controlável, grupo de talentos qualificados prontos para serem empregados em posições críticas para atender às expectativas de crescimento? Mesmo a Petrobras está enfrentando um desafio de talentos, uma vez que 45% de sua força de trabalho está definida para se aposentar no curto prazo, levando com eles uma quantidade significativa de experiência e know-how.

Empresa de logística, já está experimentando a falta de uma mão de obra qualificada. Com a construção do Complexo Industrial do Superporto do Açu – eventualmente um dos três maiores complexos portuários do mundo – já em curso, “a falta de mão de obra não vai ser um problema, que já é”, de acordo com Claudio Lampert, o geral da empresa. LLX está lutando para encontrar mais de 3.000 trabalhadores para construir e operar o porto.

Demandas similares para trabalhadores qualificados e funcionários tecnicamente capacitados nos setores de serviços financeiros, consultoria de cerveja, e industrial, entre outros, têm muitas empresas brasileiras preocupadas. “Nós buscamos funcionamos de fora”, diz Luiz Mendonça, presidente da unidade de negócio da Braskem internacional, uma empresa química que é um líder global em bioplásticos.

Uma política de portas abertas

Considerando os desafios educacionais e o dramático crescimento econômico, pode parecer desejável para o Brasil a admitir mão de obra qualificada seletivamente na economia doméstica. No entanto, desde a primeira presidência de Getúlio Vargas, de 1930 a 1945, a burocracia federal do Brasil incluiu um poderoso Ministério do Trabalho e uma hierarquia de tribunais especializados com foco em leis trabalhistas extensos, os quais visam proteger o mercado de trabalho nacional. Sucessivos governos têm apoiado principalmente o status quo, especialmente com respeito a limites de trabalhadores estrangeiros. Em 7 de julho de 2011, Carlos Lupi, atual ministro do Trabalho do Brasil, resumiu a relutância do governo de emitir autorizações de trabalho, observando que “no Brasil, nós estamos em um processo de crescimento, e devemos assegurar que o mercado de trabalho continua forte para os brasileiros.”

O volume de autorizações de trabalho recentes concedido pelo Ministério do Trabalho, um pré-requisito antes de um visto de trabalho pode ser emitido por uma embaixada ou consulado brasileiro, revela a magnitude do problema que enfrentam as empresas brasileiras. Durante os primeiros seis meses de 2011, as autorizações de trabalho aumentou quase 18% em relação ao ano anterior, para 28.556. No entanto, apenas 44% eram válidos para um a dois anos, a duração máxima concedida uma autorização de trabalho temporária, enquanto 39% eram válidos por menos de 90 dias. Mesmo que o estado de São Paulo teve um PIB de EUA 548 bilião dólares em 2008, representando 33% da economia nacional, apenas 1.461 autorizações de trabalho foram emitidas para os profissionais de negócios e executivos no interior do estado, demonstrando o grau de políticas protecionistas. Além disso, 17% dos vistos de trabalho brasileiros foram emitidos para apoio técnico-visitas de menos de 90 dias, sem um contrato de trabalho brasileiro, de acordo com os objetivos de políticas governamentais de transferência de know-how e maximizar vagas de trabalho disponíveis para os moradores.

Uma revisão dos dados de autorização de trabalho também identifica áreas onde o mercado de mão de obra estrangeira está abordando a escassez de trabalho domésticos. Durante os primeiros seis meses de 2011, totalmente 25% dos vistos de trabalho foram emitidas para tripulações de plataformas de petróleo e navios, o estado do Rio de Janeiro, representando, de longe, o maior bloco de destinatários e uma área-chave para o investimento estrangeiro direto. Após os EUA, a maior segunda origem nacional dos requerentes de visto de trabalho é sucesso nas Filipinas, em 2294 (9%), com muitos contratados sob contratos de curto prazo para navios totalmente pessoal. A maior categoria de destinatários no estado de São Paulo é “artistas e atletas”, seguido de curto prazo apoio técnico e turismo relacionado vôo ou tripulações de navios, assim, as três principais categorias de destinatários de São Paulo vistos não deslocar funcionários locais.

O senador Cristovam Buarque resume a situação da economia brasileira, dizendo que “o Brasil ESTA BEM, mas Nao Vai Bem”, o que significa que o Brasil está indo bem agora, mas não está indo na direção certa. Como líder na luta para melhorar a qualidade da educação no Brasil, Buarque enfrenta o desafio diário de atores convincentes na economia brasileira que a educação é uma questão que merece atenção imediata. Com pelo menos 30.000 milhões dólares EUA foi para projetos de infraestrutura na preparação para a Copa do Mundo de 2014 e Jogos Olímpicos de 2016, a voz de Buarque parece estar a tomar um banco traseiro. A maioria dos políticos não querem falar sobre as implicações a longo prazo de um sistema de educação a falhar. A resposta mais popular para o atual momento econômico é de aproveitar o boom enquanto dura.

Por quase um ano, uma proposta de Plano de Educação Nacional (Plano Nacional de Educação) foi realizada no Congresso e já passou por mais de 3.000 emendas. O plano de educação visa estabelecer metas quantificáveis para medir a melhoria do sistema de educação do país durante um período de 10 anos. O fato de que muitos políticos brasileiros estão segurando a legislação pode ser simplesmente um reflexo da cultura. Segundo Julio Sampaio, presidente da Associação Alumni, uma organização sem fins lucrativos dedicada ao ensino brasileiro idioma Inglês, tradicionalmente a elite poderosa faltou interesse em garantir uma educação de qualidade para todos os brasileiros.

Onde o Brasil vai ser em 20 anos sem um esforço do governo voltada para melhorar a qualidade da educação? Qual será o impacto de não fazer nada estar no PIB e do investimento estrangeiro? Embora ninguém possa responder a essas questões diretamente com números, há um consenso geral de que o problema do Brasil é a educação não vai embora tão cedo e que os executivos de fora para nos deve manter esta importante questão em mente.

Apesar de ser o lar de uma cultura que está apenas começando a valorizar a educação e preparação profissional, o Brasil também é anfitrião de uma grande variedade de oportunidades que ele irá exibir orgulhosamente no cenário mundial pela primeira vez em 2014 na Copa do Mundo. Enquanto líderes empresariais brasileiros reconhecem os desafios que enfrentam no trabalho a curto e médio prazo, eles continuam a ser otimista sobre cenários de crescimento. Se algumas empresas pretendem estabelecer ou reforçar os actuais programas de universidade corporativa ou para aumentar o número de trabalhadores estrangeiros, como o processo de visto se torna cada vez mais branda, os executivos esperam que suas projeções de crescimento estão no caminho certo. Como a demanda por uma força de trabalho qualificada torna-se mais significativa, assim, também, serão os esforços para encontrar e criar. Como Civita diz: “Se eu pudesse estar em qualquer lugar no mundo, aos 27 anos, gostaria de estar no Brasil.”

Fonte: knowledge.wharton.upenn.edu – Este artigo foi escrito por Marcus Anderson, Thomas Baldwin, Lisa Lovallo e Gabriel Pumariega, membros da Classe Lauder de 2013.

Um comentário – Francisco Pucci
A análise está correta do ponto de vista econômico. Mas há aspectos ideológicos implicados nela que também devem ser considerados: ¨educaçâo¨ nâo é ¨qualificaçâo de mão de obra. É muito mais que isso: é formaçâo da cidadania, de uma mentalidade societária, de uma visâo democrática de mundo, etc. Por isso, educar é um processo longo. Em determinada fase da vida, que corresponde aproximadamente ao segundo grau, a formaçâo para o trabalho é importante. Creio que aí deveriam (e parece que está sendo) se concentrar os esforços de uma política educacional, com a proliferaçâo de cursos técnicos. Esses cursos deveriam ser estimulados mais que os ¨tradicionais¨, pois há muito preconceito dos filhos das elites em relaçâo aos mesmos.
Os cursos universitários, por sua vez, poderiam ser desdobrados em ¨científicos¨ e ´profissionalizantes¨. Nâo há porque se ensinar física quântica ou teoria da relatividade para quem deseja um curso de engenharia que o habilite a construir estradas ou prédios ou máquinas.
Em todos os cursos, a partir das 8 séries iniciais, se poderia ensinar a aplicaçâo ética e comunitária da tecnologia, sem prejuízo da formaçâo técnica.
Só para estimular a discussâo de um tema que é fundamental ao nosso desenvolvimento.

Minha humilde opinião… é triste demais… e é a mais pura VERDADE!

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